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Isenção de Imposto de Renda por doença grave: quem tem direito e como pedir

Aposentados e pensionistas com doença grave prevista em lei podem ter direito à isenção do Imposto de Renda sobre os proventos. Veja quais doenças, como comprovar e como solicitar.

Retrato de Bruno Machado

Bruno Machado

Advogado · OAB/SP nº 360.883

Atualizado 26 de junho de 2026

Aposentados, pensionistas e militares reformados que sejam portadores de uma doença grave prevista em lei podem ter direito à isenção do Imposto de Renda sobre os seus proventos. O benefício está na Lei 7.713/88 (artigo 6º) e alcança rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão — não o salário de quem continua trabalhando. Quando reconhecido, ele desonera o provento e pode permitir, ainda, o pedido de restituição dos valores pagos indevidamente nos últimos cinco anos. Este texto explica quem tem direito, quais doenças entram na lista e como solicitar — de forma informativa, sem qualquer promessa de resultado.

O que é essa isenção?

A legislação do Imposto de Renda prevê que certos rendimentos não são tributados. Um desses casos é o dos proventos de aposentadoria, reforma e pensão recebidos por pessoas com doença grave especificada em lei. A lógica do benefício é proteger quem, além da doença, costuma enfrentar despesas elevadas com tratamento.

É importante entender o alcance: a isenção recai sobre os proventos (aposentadoria, reforma, pensão) e sobre alguns rendimentos a eles relacionados. Ela não transforma a pessoa em isenta de tudo — rendimentos de trabalho ativo, por exemplo, seguem as regras gerais.

Quais doenças dão direito?

A lista é definida pela Lei 7.713/88 e inclui, entre outras:

  • neoplasia maligna (câncer);
  • cardiopatia grave;
  • doença de Parkinson;
  • esclerose múltipla;
  • cegueira (inclusive monocular, conforme entendimento dos tribunais);
  • nefropatia grave (doença renal) e hepatopatia grave (doença no fígado);
  • paralisia irreversível e incapacitante;
  • AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida);
  • hanseníase, tuberculose ativa, alienação mental, entre outras.

Trata-se de uma lista definida por lei: em regra, a doença precisa estar entre as previstas. Por isso, o primeiro passo é verificar se o diagnóstico se enquadra em alguma das hipóteses legais.

Preciso estar com a doença “ativa”?

Não. Esse é um ponto em que muita gente perde o benefício por desinformação. O Superior Tribunal de Justiça pacificou, na Súmula 627, que não se exige a demonstração de que os sintomas estão presentes nem de que a doença voltou (“contemporaneidade dos sintomas” e “recidiva”). Em outras palavras: uma vez reconhecida a doença grave prevista em lei, a isenção pode ser mantida ainda que a enfermidade esteja controlada — por exemplo, um câncer em remissão.

É obrigatório laudo médico oficial?

Para o reconhecimento administrativo (junto à fonte pagadora ou à Receita), costuma-se exigir laudo de serviço médico oficial — da União, dos estados ou dos municípios. No entanto, o STJ firmou, na Súmula 598, que na via judicial o laudo oficial não é imprescindível: o juiz pode reconhecer a doença grave por outros meios de prova que considere suficientes, como laudos e exames de médicos particulares. Isso é relevante quando a pessoa tem a documentação médica, mas enfrenta dificuldade para obter o laudo oficial.

Como solicitar a isenção?

De forma geral, o caminho costuma envolver:

  1. Reunir a documentação médica — laudos, exames e relatórios que comprovem o diagnóstico e a data em que a doença foi constatada;
  2. Requerer junto à fonte pagadora (por exemplo, o INSS ou o órgão que paga a aposentadoria) o reconhecimento da isenção, para que o imposto deixe de ser retido dos próximos proventos;
  3. Pleitear a restituição dos valores retidos indevidamente, em regra dos últimos cinco anos, por meio da retificação das declarações ou de pedido próprio;
  4. Se houver negativa indevida, é possível buscar o reconhecimento pela via judicial.

Cada etapa depende da situação concreta — do tipo de provento, da data do diagnóstico e da documentação disponível. Por isso, embora a lógica seja a descrita acima, os detalhes exigem análise individual.

E a restituição dos últimos anos?

Quando a doença já existia em períodos anteriores e o imposto continuou sendo descontado, costuma ser possível pedir a devolução do que foi pago indevidamente nos últimos cinco anos (contados do pedido). O valor depende de quanto foi retido e da comprovação da doença em cada período — não há um número padrão, e tampouco garantia automática: tudo depende da prova e do enquadramento legal.

Um alerta necessário

Por se tratar de um direito ligado à saúde e a valores em dinheiro, é comum encontrar promessas exageradas sobre o tema. Vale o cuidado: ninguém pode garantir resultado, e cada caso depende do diagnóstico, das provas e da legislação aplicável. O objetivo aqui é informar sobre a existência do direito e seus requisitos, para que a pessoa avalie, com orientação adequada, se a sua situação se enquadra.

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Este conteúdo tem caráter informativo e geral e não substitui a orientação jurídica para o caso concreto. O enquadramento na isenção depende da análise individual do diagnóstico, da documentação e da legislação vigente.

Perguntas frequentes

Quem tem direito à isenção de Imposto de Renda por doença grave?

Em regra, aposentados, pensionistas e militares reformados que sejam portadores de uma das doenças graves listadas na Lei 7.713/88. A isenção recai sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão — e não sobre rendimentos do trabalho ativo.

Quais doenças dão direito à isenção?

A lei lista, entre outras, neoplasia maligna (câncer), cardiopatia grave, doença de Parkinson, esclerose múltipla, cegueira, nefropatia grave, hepatopatia grave, paralisia irreversível e incapacitante, AIDS, hanseníase e tuberculose ativa. A lista é definida pela Lei 7.713/88.

Preciso estar com a doença ativa para manter a isenção?

Não. Segundo a Súmula 627 do STJ, não se exige a demonstração de que os sintomas estão presentes nem de que a doença voltou. Uma vez reconhecida a doença grave prevista em lei, a isenção pode ser mantida ainda que a enfermidade esteja controlada.

É obrigatório laudo médico oficial?

Para o reconhecimento administrativo, costuma-se exigir laudo de serviço médico oficial. Mas, segundo a Súmula 598 do STJ, na esfera judicial o laudo oficial não é imprescindível: o juiz pode reconhecer a doença por outros meios de prova considerados suficientes.

Posso pedir a devolução do que já paguei?

Em regra, é possível pleitear a restituição dos valores pagos indevidamente nos últimos cinco anos, contados do pedido. Os valores e a forma dependem de cada caso e da comprovação da doença no período.

Quem ainda trabalha e tem doença grave tem a isenção sobre o salário?

Não. A isenção da Lei 7.713/88 alcança os proventos de aposentadoria, reforma e pensão. O salário de quem continua na ativa não está abrangido por essa regra específica.

Conteúdo informativo. Este texto tem caráter geral e não substitui a orientação jurídica para o caso concreto.

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